Showing posts with label bombeiros. Show all posts
Showing posts with label bombeiros. Show all posts

Monday, July 02, 2007

Fundo do Tejo irregular ceifa vidas



O praia da Casa Branca em Azambuja tem sido notícia pelas piores razões. O local não é uma praia e por isso não tem segurança para que os veraneantes se banhem nas águas do Tejo. Talvez por isso se explique que nos últimos 5 anos morreu uma pessoa por ano naquele braço do Tejo.

A sonda do barco dos bombeiros de Azambuja não engana. À medida que vai subindo o Tejo, o aparelho vai medindo a profundidade do rio. Há locais onde os fundões são verdadeiras armadilhas. Segundo Pedro Cardoso comandante dos voluntários azambujenses, há locais onde a irregularidade dos terrenos passa de um metro para dez, constituindo um perigo aos veraneantes que todos os anos desafiam a correntes do Tejo.
Esta poderá ter sido a causa da morte de José Fernando no passado mês de Junho. Pedro Cardoso aponta não só os fundões, como também as redes ilegais da pesca dos meixão que proliferam no Tejo.
O operacional diz ter quase a certeza que “o corpo estava envolto nas redes. E quando houve autorização das autoridades para cortar as redes, o corpo apareceu pouco depois”.
Ao Vida Ribatejana Cardoso destaca a perigosidade destas redes. O comandante lembra que há pouco tempo os voluntários tiveram de socorrer uma embarcação no Tejo que cuja hélice estava presa nas redes de pesca.
Das margens não se dá conta, mas numa reportagem no Verão de 2005, o Vida Ribatejana constatou que existem muitas redes, e pouco espaçadas entre si no Tejo. Muitas não são sinalizadas convenientemente, e as que têm algum tipo de sinalização, utilizam garrafas ou garrafões de plástico, o que de noite deixa de ter qualquer visibilidade.
Há muito, que os serviços de protecção da natureza da GNR e Bombeiros, alertam para os perigos destas redes, mas o facto da pesca do meixão ser ilegal, não dissuade os prevaricadores, que segundo as autoridades, são muitas vezes pescadores que tentam aumentar o magro rendimento que auferem com as pescas.
Não há estatísticas concretas mas todos os anos, morre uma pessoa nas águas do Tejo. Pedro Cardoso não se cansa de alertar para o facto da “casa branca” não estar classificada como uma praia, não existindo por isso meios de vigilância ou de socorro no local.
Para este Verão, o operacional espera da parte dos veraneantes mais atenção, embora reconheça que a tentação em ceder a um mergulho, nos dais mais quentes, é muitas vezes difícil. O próprio operacional refere que “a praia não tem segurança. Não é uma praia é um braço do rio que tem alguma areia e um parque de lazer” sublinhando que a utilização que dão ao espaço é idêntico a uma praia, mas o facto é que a “Casa Branca não é uma praia”, lembrando ainda que “o Tejo é perigoso e traiçoeiro”.
Uma das provas de perigosidade do rio, está relacionado com a morte do pescador amador. As águas do Tejo são turvas “e debaixo de água não vê mais do que um palmo à frente da vista” fazendo com que no caso do resgate do pescador os mergulhadores tivessem de se socorrer da apalpação do fundo do rio.
As fortes correntes e o lixo acumulado, são também fonte de problemas, não só para os veraneantes, como para os bombeiros no caso de um resgate no Tejo.
As dificuldades do Tejo para resgatar o corpo do pescador, foram sentidas pelos bombeiros e observadas à distância pelos populares. Os mesmos que muitas vezes desafiam as correntes do Tejo.
João Antunes do Cartaxo, ainda se lembra de passar o Tejo a pé para a outra margem “eram outros tempos. Havia arraiais na outra banda, a malta passava e não havia estes fundões”. Fátima Sequeira, recorda também “antes até nadávamos no Tejo. A corrente sempre foi forte, de vez em quando lá ficava alguém afogado, mas agora tem sido demais” conta esta cabeleireira de Lisboa que escolhe s casa Branca para montar a tenta e fazer umas ferias no campo longe da confusão dos parques de campismo.
Aliás alguns dos populares que acompanhavam a operação de resgate do pescador, são visitas habituais na Casa Branca. Firmino Jorge é também um habitual frequentador do espaço “de vez em quando la vou ao banho. Sei que a praia não tem muitas condições. Mas sou reformado e aqui é mais barato”. Mas o que os utilizadores reclamam com mais vigor é a abertura do bar.
O espaço que deverá ser concessionado pela Câmara para este Verão, apresenta evidentes sinais de abandono e de vandalismo. As portas das casas de banho estão fora do sitio, e à noite o local, embora iluminado, é frequentado por toxicodependentes o que faz aumentar o receio dos que acampam junto ao Tejo, pese embora o facto daquele não ser um parque de campismo. Firmino considera importante o bar “não só dá apoio ao fim de semana, como durante a semana à noite afasta os vândalos daqui” refere. João Antunes, está de acordo com Firmino, mas ressalva o facto do espaço precisar de ser valorizado “com um arranjo para que as pessoas tenham gosto em vir aqui” já sobre os perigos do rio Tejo afiança “de vez em quando vou ao banho. Mas tenho o cuidado de ver como está a maré” disse.

Tuesday, June 12, 2007

Pescador Resgatado do Tejo




CJá foi encontrado o homem que no passado sábado se atirou ás águas do Tejo, na praia da Casa Branca em Azambuja, para resgatar uma bóia de pesca.
José Fernando, mecânico de profissão há anos que fazia pesca naquele local, e o passado sábado parecia ser um dia igual aos outros.




A pescaria tinha sido combinada na quinta-feira da espiga. José Fernando e os amigos, encontravam-se frequentemente para a “farra”, mas desta vem apenas Fernando e outro amigo se afoitaram, no Tejo para a pesca.
Já era quase hora de almoço, quando José Fernando de 58 anos e um amigo, se puseram a caminho da margem sul do rio. Para tal tiveram de atravessar o Tejo a pé, e embora a maré já estivesse a encher, o conhecimento do local, trouxe a habitual confiança, para fazer aquele percurso, considerado perigoso por ter muito lodo e fundões.
Já a tarde ia alta, eram quase 17.30 e a pescaria pouco ou nada rendia. Num curto espaço de tempo, José Fernando viu partir-se a linha de pesca e uma das bóias acabou por se afastar uns metros da margem.
Segundo relatos do companheiro, José Fernando optou por se atirar à água, para resgatar a bóia. Indiferente aos apelos do colega para não o fazer.
Foi n uma fracção de segundos que tudo aconteceu. O amigo não consegue explicar o sucedido. Terá ficado em estado de choque por não ter conseguido ajudar a resgatar das águas do Tejo José Fernando.
Na altura, estavam por perto umas pessoas que tinham uma pequena embarcação. Foi com ela que tentaram resgatar a vitima que se afundava e que se mostrava impotente face à força da corrente.
Daí até ao apelo aos bombeiros, foi um instante. Os voluntários de Azambuja deslocaram-se de imediato para o local, mas o adiantado da hora e a falta de luminosidade, pouco deu para fazer, a não ser uma procura superficial no local e nas margens.
A praia da Casa Branca é conhecida pelos seus perigos. Os fundões o lodo e a falta de limpeza do rio, são o suficiente para todos os anos perderem-se vidas naquela zona.
Com o passar das horas, a angústia da família tem vindo a aumentar. A esposa e os filhos que não têm saído da praia à espera de notícias dos mais de cem bombeiros envolvidos nas buscas. A esposa, empregada de balcão em Azambuja e os filhos, todos maiores de idade, sabem que nada poderá trazer de volta José Fernando com vida. Apenas queriam que fosse encontrado o corpo, para poderem fazer um funeral digno em Vale do Paraíso, local onde José Fernando gostava de passar os seus dias em vida.
O corpo foi resgatado esta terça;feira pelas 22 horas. Segundo o comandante dos bombeiros locais, Pedro Cardoso, o corpo de Jose Fernando apareceu na boca do rio, a alguns quilometros do sitio de omde tinha desaparecido.
Mais de 20 embarcações e mergulhadores, pesquisaram o fundo do Tejo. A falta de luz e a poluição, dificultaram o resgate e para tornar o problema, os operacionais estabelecerem um perímetro e depois recorram à apalpação do terreno.

Uma vitima por ano


Nos últimos quatro anos, a praia da Casa Branca tem ceifado a vida pelo menos a uma pessoa por ano.
O ano passado, uma cidadã brasileira perdeu a vida naquele mesmo local, onde desapareceu José Fernando. Há dois anos, um munícipe do Cartaxo conhecido por “faquir” também foi arrastado pela corrente do Tejo. E há uns anos um jovem natural de Azambuja terá também encontrado a morte naquele local.
A praia da Casa Branca não é considerada como tal. As autoridades, nomeadamente os bombeiros de Azambuja, têm alertado para o problema, e apelado ao bom-senso dos veraneantes que escolhem aquele local para passar o dia, cometendo ás vezes alguns excessos.
Contudo, e porque não é reconhecida pelo INAG (Instituto Nacional da Água), a praia da Casa Branca, não tem acesso ás condições mínimas de segurança, como é o caso de um nadador-salvador. Os próprios bombeiros que muitas vezes patrulham o Tejo no verão, não têm condições para ter em permanência no local uma equipa para fazer face a qualquer emergência.
Pedro Cardoso comandante dos bombeiros, tem alertado os veraneantes para o perigo. Numa entrevista publicada no Vida Ribatejana em 2005 e propósito dos perigos no Tejo, o operacional salientou que a falta de cuidado e a ausência de bom-senso das pessoas, esta na origem de grande parte dos afogamentos.
O certo é que em Azambuja, quase não há ninguém que nunca tenha tomado banho na Casa Branca, e que por motivos culturais, tenha respeitado os poucos avisos de perigo no local.